quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Cinco Evidências para Saber se seu Filho é Mesmo um Cristão

Brian Croft

17 de Fevereiro de 2014 - Família
Como pais, todos nós lutamos com essa pergunta e tenho observado que, no geral, há dois extremos que devem ser evitados. O primeiro é agravado pela falta de discernimento que muitas igrejas demonstram quando estendem os chamados ao altar, para crianças de 4 e 5 anos de idade, pedindo-lhes que levantem as mãos se eles amam a Jesus e, logo, são batizados como seguidores de Cristo, como convertidos.
segundo é, frequentemente, uma reação contrária à primeira. Esse extremo evita que tanto os pais como os pastores afirmem a conversão de um menino até que seja um adulto, independente da autoridade e cuidado de seus pais. Enquanto a relutância em ambos os casos é algo justificável, creio que deve-se encontrar um equilíbrio, a fim de discernir uma evidência bíblica, de que um menino, adolescente ou jovem adulto tornou-se uma nova criatura em Cristo.
Cinco Evidências
Partindo do óbvio, que não somos Deus e não podemos ver o coração de ninguém, creio que há certas evidências que podem nos ajudar a discernir a legitimidade da profissão de fé de um menino ou adolescente. Tomando como referência os cinco sinais da verdadeira conversão de Jonathan Edwards, aqui estão cinco evidências que utilizo, frequentemente, como um modelo quando se trata dessa questão:
  1. Uma afeição crescente e necessidade por Jesus e pelo Evangelho.
  2. Uma maior compreensão das verdades da Escritura.
  3. Aumento da bondade e generosidade para com seus irmãos.
  4. Uma maior consciência e desgosto pelo pecado.
  5. Desejo acentuado de obedecer a seus pais.
Em minha experiência como pai e pastor, percebi que a idade não é o indicador mais importante para determinar a verdadeira conversão. Em vez disso, é prudente buscar essas evidências de acordo com cada idade em particular. Por exemplo, um jovem de 16 anos de idade articulará sua compreensão acerca do Evangelho de maneira diferente e mais completa que um menino de 10 anos. O mesmo pode ser dito do desejo de um menino de obedecer a seus pais ou mostrar um espírito altruísta para com seus irmãos. Estas coisas parecem diferentes dependendo da idade, e nossas expectativas devem levar isso em conta.
No entanto, devemos observar os frutos de alguma maneira, e eu descartaria firmemente qualquer afirmação da conversão de um menino, sem algum tipo de evidência tangível, além de uma profissão de fé verbal. Por outro lado, porém, advirto os pais e pastores para que não caiam na armadilha de exigir mais de um menino além daquilo que pode ser razoavelmente esperado e observado na sua idade.
Cinco perguntas
Tenho aqui cinco perguntas que devem ser consideradas na busca por evidências anteriores e na avaliação da condição espiritual de um menino:
  1. Meu filho aparenta amar verdadeiramente Jesus?
  2. Os meninos comumente fazem e dizem o que lhes falamos para fazer e dizer, pois acreditam que devem crer no que falamos a eles. Quando se trata de dizer: “Eu creio em Jesus”, os pais podem manipular uma resposta até mesmo com a melhor das intenções. Em vez de persuadi-los a dizer as palavras corretas, devemos buscar que o menino tenha afeição genuína por Jesus, e tratar de confirmar, da melhor maneira possível, se esse afeto está enraizado naquilo que Jesus fez para salvá-los de seus pecados, através de sua morte e ressurreição. 
  3. Meu filho busca conhecer a Palavra de Deus de forma independente?
  4. Leio a Bíblia com meus filhos antes mesmo que eles pudessem ler. O que mais me chamou a atenção, porém, foi quando a minha filha mais velha começou a ler e tratar de entender a verdade, sem a minha insistência. Lia as Escrituras por conta própria e logo me fazia perguntas. Estes comportamentos revelam o que minha esposa e eu identificamos como um desejo genuíno de conhecer a Palavra de Deus, independentemente de qualquer um de nós.
  5. Meu filho mostra uma maior compreensão das verdades espirituais profundas?
  6. Uma evidência útil de que meu filho mais velho havia se convertido ocorreu um ano depois de sua conversão. Ao terminar de ler o livro de João, em nosso estudo da Bíblia, nas quartas-feiras pela noite, meu filho contou que estava triste de ter perdido a última semana que consistia em um resumo do livro. Eu perguntei por que ele estava triste, já que ele havia estado ali durante todo o livro, e ele me respondeu: “Sinto que lembro muito bem dos três últimos capítulos de João, mas não me recordo muito bem dos primeiros”. Foi ali que percebi que havíamos começado o estudo de João um pouco depois de sentirmos que nosso filho havia se convertido. A palavra “despertar” é uma maneira útil de entender a conversão, não apenas nos adultos, mas também nas crianças. Observe se seu filho/filha entende, melhor do que antes, as verdades acerca de Deus, o Evangelho e a Bíblia. Você tem notado nele um despertar espiritual?
  7. Meu filho está demonstrando fruto espiritual contra sua personalidade?
  8. É comum confundir o fruto espiritual com os aspectos positivos da personalidade do filho. Por tal razão, temos que conhecer as diferentes características da personalidade de cada filho antes de podermos discernir o verdadeiro fruto espiritual. Por exemplo, meu filho é uma pessoa extrovertida, ama a gente e sempre amou os irmãos em nossa igreja. Portanto, o amor pela igreja local, apesar de ser um fruto da conversão, não era o melhor dado para discernir a conversão de meu filho, pois ele tende a nos amar de maneira natural. Minha filha mais velha, porém, não nos amava de maneira espontânea, algo que mudou notavelmente depois de sua conversão. Em resumo, é importante avaliar honestamente a personalidade de seu filho e buscar evidências de fruto sobrenatural,que pareça contrário a sua personalidade.
  9. Há remorso pelos pecados diários, de forma independente?
  10. Minha esposa e eu percebemos que é útil observar se nosso filho sente pesar por seupecado, além de qualquer disciplina, correção ou castigo. Um pai pode fazer com que um filho sinta-se “culpado” pelos pecados, contudo, isso não significa, necessariamente, que Deus, por seu Espírito, o tenha levado à convicção. Busque momentos quando um filho fere um irmão com suas palavras e pede desculpas por conta própria. Observe se seu filho vem até você e confessa uma mentira, antesdela ser descoberta, e não por outra razão (aparente), mas pelo fato de seu próprio coração e consciência serem condenados pelo Espírito Santo.
Compreenda que este é um terreno difícil. Como pai e pastor, tudo o que procede deve ser aplicado, segundo cada caso. Apesar de que muitos de nós podemos estar em lugares diferentes neste espectro, devemos, no entanto, tratar de evitar os extremos em ambos os lados. Encontrar um bom lugar no centro, como ponto de partida, e a partir dali ser sábio, avaliar com honestidade e orar para que o Deus misericordioso que regenera os adultos, adolescentes e meninos, igualmente, nos dê discernimento, paciência e graça.
Fonte: The Gospel Coalition
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Katy Perry, "filha do diabo"?

Música

Pastor, pai de Katy Perry diz que cantora é 'filha do diabo'

Artista foi criticada durante um sermão em igreja por cantar músicas de duplo sentido e falar que beijou uma garota, entre outras 'profanações'

Katy Perry no Grammy Awards, esquecendo a recomendação da organização do prêmio de usar roupas comportadas
Katy Perry no Grammy Awards, esquecendo a recomendação da organização do prêmio de usar roupas comportadas(Jason Merritt/ Getty Images)
Conhecida por cantar músicas cheias de duplo sentido, a cantora pop Katy Perry foi acusada pelo próprio pai, um pastor evangélico, de ser "filha do diabo". A afirmação foi feita durante um sermão dele em Santa Fé Springs, na Califórnia, nos Estados Unidos, segundo o tabloide britânico The Sun.
Keith Perry, o pai da estrela, afirmou ter estado em um dos shows dela e disse que não gostou de ver que os fãs idolatram a cantora, mas não a Deus. Durante o sermão, ele e a mulher, Mary, exibiram um vídeo que mostra a cantora como "filha do diabo", que precisa ser curada, e pede que os fiéis rezem pela filha.
"Como posso pregar se criei uma garota que canta sobre beijar outra garota? Eu estive em um dos shows dela e havia 20.000 pessoas. Eu estava observando essa geração, e eles estavam gostando daquilo. Parecia uma igreja. Eu fiquei ali chorando. Eles estão idolatrando a coisa errada", disse o pai da cantora.
Os pais de Katy Perry estão fazendo uma turnê por várias cidades dos EUA, onde pregam seus sermões. O número em que eles falam da filha, porém, parece ser uma ensaiada jogada de marketing, já que, segundo o The Sun, depois do sermão, eles pedem doações de "não um ou dois dólares, mas vinte", para que eles possam fazer uma viagem para a Suíça. Antes de ser famosa, Katy cantava em igrejas. Mas não é de hoje que seus pais criticam o novo comportamento da cantora, como pode ser visto em seu filme, Part of Me, lançado no ano passado.
http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/pai-de-katy-perry-diz-que-cantora-e-filha-do-diabo

sábado, 23 de novembro de 2013

Pesquisadora fala sobre "Filhos de pastores"

REVISTA ENFOQUE -53 - ENTREVISTA Pesquisadora aborda conflitos desse público Filhos de pastores Baseada em experiência própria, teóloga avalia a vivência de fé de filhos de pastores. Em entrevista à Enfoque, a pernambucana Késia Adriany analisa a cobrança excessiva para ser ‘vitrine doutrinária’ que a família pastoral, em especial os filhos de pastores, é obrigada a ser. A cultura popular afirma que “filho de peixe, peixinho é”. No teatro, na música ou outras profissões, a hereditariedade no talento muitas vezes ocorre muito bem. Mas quando o assunto é fé e religião, nem sempre o ditado se aplica. Como no caso de filhos de pastores que não se sentem vocacionados para o ministério pastoral, sequer chamados para serem o exemplo perfeito de quem convive em uma família de pastor. Assim foi com a pernambucana Késia Adriany. Natural de Serra Talhada, passou um bom tempo conhecendo o país na implantação de igrejas. Morou no Ceará, trabalhou em Juazeiro do Norte e transferiu-se para o Rio de Janeiro. A pedagoga de 33 anos, teóloga, pós-graduada em gestão educacional, conhece bem o fardo que a família pastoral carrega. Filha de pastor, com cinco irmãos, apenas ela seguiu a carreira ministerial. Os outros filhos conseguiram escapar do que chama "pressão ministerial". Mas seu sorriso cativante de hoje esconde um passado de muitas lágrimas e cobranças. Késia, que aos 14 anos chegou a questionar a existência de Deus ao pai devido à sua insegurança cristã, resolveu reunir outras histórias tristes e colocá-las em livro. Com quase duas décadas de estudos, a teóloga presbiteriana ainda está à procura de editora. Com o esboço à mão, ela fala sobre como alguns filhos não agüentaram "ser uma vitrine doutrinária". Nesta entrevista, ela analisa a nem tão tranqüila relação de pastores e seus filhos e a conversão de fé destes. Késia demonstra sua visão bíblica e algumas respostas, não definitivas, e sinaliza alguns segredos. Ela vai além e critica as lideranças por não prepararem pastores e igrejas para lidar com esse problema. ENFOQUE - É complicado para um filho de pastor ter sua própria experiência em Cristo? KÉSIA ADRIANY - Penso que sim. Desde a adolescência eu percebia isso. Aos 14 anos gostava de ouvir o testemunho de conversão do meu avô. Ele cantava um hino que dizia que Jesus havia lhe tirado do lamaçal do pecado. Um dia falei à minha mãe que queria conhecer este lamaçal. Questionava como Deus me salvaria se nunca havia pecado devido à grande redoma de proteção. Eu falava a mim mesma: “Jesus morreu por mim? Por quê? Eu não fiz nada, eu não peco.” Isso precisa ser trabalhado com o filho de pastor: que há uma mensagem de salvação a ele, seja quem for, rico ou pobre. Quando esse processo de conversão aconteceu comigo, percebi quantos filhos de pastores sofriam com esse mesmo dilema. ENFOQUE - A partir disso, o que houve? KÉSIA ADRIANY - Eu comecei a procurar histórias de outros filhos de pastores na internet e divulguei-as entre as famílias. Logo passei a receber muitos depoimentos. Até hoje, em quase duas décadas, foram catalogadas mais de cem histórias. Algumas dessas pessoas pediam para mantê-las em sigilo. No entanto, outras pediam para divulgar tudo abertamente porque sofreram muito e não queriam que outros passassem pelos mesmos problemas. Já muitos pais também me enviaram histórias e se queixaram de que, se pudessem, começariam tudo novamente e de outra maneira. ENFOQUE - Nesses relatos, qual foi a maior reclamação? KÉSIA ADRIANY - Deparei com casos de filhos de pastores que, por conta dessa quase imposição para também serem pastores, assumiram igrejas e hoje são frustrados. Sentiram-se enganados. E acabaram enganando outras vidas. O púlpito não é legado de propriedade. A herança que o pai pastor deixa para o filho é uma vida honesta e íntegra diante de Deus. Em minha pesquisa, que desemboca no livro que estou escrevendo, não questiono a educação que o pai pastor dá a seu filho e, sim, essa experiência de fé. Porque muitos filhos de pastores apenas reproduzem o que aprenderam. Cantam, louvam e até pregam. Todavia, muitos não sabem de fato quem é Deus. ENFOQUE - Acha que isso é quase um treinamento de fé? KÉSIA ADRIANY - Por minha experiência pessoal, posso dizer que isso é um treinamento. Alguns pais condicionam o filho a fazer aquilo. Só que em matéria de fé é diferente. É prejudicial, pois pode gerar cidadãos que enganam a si mesmos. Vestem uma carapuça que não escolheram. Sofrem com a cobrança para serem modelos de sucesso só porque seus pais foram. É uma ligação prejudicial porque mistura fé, profissão e futuro. ENFOQUE - O que mais encontrou nesses relatos? KÉSIA ADRIANY - Encontrei desabafos, como: “Quero ser tudo na vida quando crescer menos pastor.” E no caso das meninas, elas desprezam a idéia de serem esposas de pastor. Percebi também que muitos não tinham vida própria, não tinham nome. Eram apenas “a filha” ou “o filho do pastor”. Na minha vida, por exemplo, houve uma época em que deixei cair certas máscaras e tive coragem de assumir meus próprios erros e incertezas. ENFOQUE - Que conseqüência essa cobrança pode gerar? KÉSIA ADRIANY - O padrão para o pastor é muito alto. Você pode entender isso na Bíblia, no livro de Tiago, que fala que o pastor tem de ser marido de uma só mulher, educar bem sua família, etc. Isso é pesado demais para um filho, pois o pai automaticamente divide a responsabilidade de não decepcioná-lo. Pude comprovar isso em relatos. Filhos que não viam a hora de sair de casa para levar a vida de seu jeito e fugir dessa pressão. ENFOQUE - A igreja transfere projeções de comportamento para esses filhos? KÉSIA ADRIANY - É claro que sim. Se eu não estivesse envolvida em alguma coisa na igreja, era malvista. Isso ocorre muito em cidades do interior. Se um filho de pastor não estiver engajado, se não cantar ou não fizer parte do ministério de louvor, então ele não é “espiritual”. Assim é o mesmo com a esposa de pastor. O problema é que você se acostuma a ter de demonstrar um determinado padrão de vida e de espiritualidade e, muitas vezes, faz aquilo não para agradar a Deus, mas para não manchar a reputação do pai ou da mãe. A pessoa cresce sem perceber que adaptou-se ao meio, moldou-se às circunstâncias. ENFOQUE - E o que se deve fazer quando acontece a queda, a falha de um filho de pastor? KÉSIA ADRIANY - Deve-se respeitar. Emocionalmente é difícil para a família e é complicado admitir o erro. É necessário retomar de onde o problema começou e sempre optar por uma conversa franca e restauração. ENFOQUE - Como mudar esse quadro? KÉSIA ADRIANY - Acredito que o pastor deve dedicar um tempo para a sua família. Com base nos depoimentos de filhos de pastores equilibrados espiritualmente, entendo que é necessário que essa mensagem de fé, que é pregada na igreja, seja repetida dentro dos lares. Uma mensagem transmitida e compartilhada que dê abertura para questionamentos. Defendo os cultos domésticos. Não um culto da igreja em miniatura. Um culto onde esse filho possa orar, fazer seu pedido e estudar. O pai pastor precisa ter o discernimento de educar seu filho, de mostrar o maravilhoso plano de salvação, sem pressionar ou induzir o filho a ser o que ele não quer ser. E que esse pai seja em casa o mesmo pastor que é na igreja. ENFOQUE - O que representa ser filho de pastor? KÉSIA ADRIANY - Representa ser uma bênção. É claro que é um desafio, pois ele vai lidar com cobranças de mundos diferentes. É um privilégio, acima de tudo, pois esse filho vai ter explicações espirituais dentro de casa. Aprendi muito com isso. E hoje louvo a Deus por ter sido abençoada dentro de casa. É como tivesse médico dentro do meu lar (risos). Contatos para enviar depoimentos: kesiaadriany@hotmail.com/kesiaadriany@snt.com.br (o sigilo é garantido) (Colaboração de Celso Francisco)